Acolher vítimas sem julgamento é salvar vidas, é minha missão!
- Ricardo Gomez Filho
- 4 de ago.
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Atualizado: há 5 dias

Além da dor da violência sofrida, poucas coisas machucam tanto quanto buscar apoio e encontrar julgamento e desinteresse. Nessa jornada de atendimento a mulheres vítimas e pessoas desaparecidas, encontrei pessoas desesperançadas porque, além da separação de um ente querido, conheceram o abandono e o descaso.
O acolhimento não restaura o bem-estar de antes da violência, nem substitui a perda sofrida pela ausência de alguém querido, mas devolve a esperança, recupera o espírito, traz ânimo e a certeza de que há alguém disposto a ouvir, amparar na dor e caminhar junto.
Eu e minha família sabemos bem o valor do acolhimento, porque vivemos dias terríveis por ocasião do desaparecimento da minha irmã Mércia, naquele maio tão doloroso de 2010. Naquele momento, encontramos o abandono do Estado, mas também conhecemos o poder do abraço, amparo, desabafo, enfim, do acolhimento sem julgamento.
Com o tempo, transformei essa vivência doída e traumática em missão, em um compromisso público com as pessoas. Hoje, este mandato pode oferecer esse carinho, cuidado e atenção a quem mais precisa, no momento mais desesperador. O acolhimento salva vidas.
É por sentir e entender dessa forma que renovo aqui meu compromisso de continuar de ouvidos e coração abertos para todos. Não é pelo cargo, mas pelas pessoas que, assim como eu precisei um dia, carecem de aconchego e orientação. Esta é e continuará sendo a minha missão de vida.




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